Por: Vinícius Mariano

Quem achava que a pandemia de Covid-19 havia terminado após as mil e uma doses de vacinas aplicadas (muitas delas forçadamente) pode começar a repensar seu ponto de vista. O caso é que em duas grandes cidades na China as medidas de restrição mais autoritárias voltaram: em Xangai, em 4 dos 16 distritos, os moradores estão proibidos de sair de casa e de receber encomendas, sob pena de prisão e outras sanções. Algo semelhante ocorre na capital, Pequim, cuja região Sudeste está fechada, obrigando as pessoas a trabalharem de casa. Restaurantes e transporte público não estão funcionando nesta parte da capital chinesa, que, somada à população de Xangai, totaliza 47 milhões de pessoas.

Segundo as autoridades chinesas, Xangai registrou, no final de abril, mais de 25 mil casos de Covid-19, mas os óbitos no país seguem em baixa, com apenas 5.191 registros, de acordo com o site Worldometers, que reúne estatísticas de Covid-19 em tempo real. Os números chineses, entretanto, são passíveis de questionamento, uma vez que o país é uma ditadura centrada no Partido Comunista Chinês, que na prática controla todas as instituições da China, incluindo os hospitais, o que torna impossível uma auditoria externa nos números. Inclusive, o partido mandou prender jornalistas que em 2020 cobriam a pandemia, como a repórter Zhang Zhan, de Xangai, condenada a 4 anos de reclusão.

Vacinação em cheque

As novas medidas de lockdown na China podem colocar em cheque a eficácia das vacinas contra a Covid-19: o país, cuja população é de 1,4 bilhões, aplicou 3.353.022.000 (três bilhões trezentos e cinquenta e três milhões e vinte e dois mil), o que é suficiente para vacinar com duas doses toda a população e com a terceira uma parcela com a terceira. Assim, o lockdown chinês torna-se um alerta para as outras partes do mundo que achavam que a vacina seria o suficiente para acabar com a pandemia de coronavírus, cuja responsabilidade recaí exclusivamente na China, que fez vista grossa para os primeiros casos e permitiu a situação chegar a este ponto.